
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Irão?

domingo, 1 de março de 2009
Estado de alerta
A complicada situação posta acima é uma explicação superficial da causa do conflito entre judeus e muçulmanos no Oriente Médio, mas, por si só, não dá conta de toda a questão. Desde a criação de Israel, em 14 de março de 1948, quando os judeus se declararam nação, guerras aumentaram o rancor entre os dois lados e intensificaram a disputa pela terra, santa para ambos. Com o apoio do Ocidente, Israel saiu vitoriosa de todos os conflitos e pôde realizar ações militares duvidosas, como a mais recente incursão em Gaza.
Recentemente, o panorama político na região está se modificando. As eleições do parlamento israelense derrubaram de vez o partido trabalhista e deram o poder à direita. O Likud (direitista) e o Kadima (centrista), os dois mais votados, não chegam a um acordo sobre a formação do governo, apesar dos apelos do presidente Shimon Perez. A extrema-direita ganhou força e os três maiores partidos árabes também avançaram no Congresso. O discurso extremistas e anti-palestino tem se fortalecido e o apoio popular às invasões também.
A população israelense sabe que vive cercada de inimigos por todos os lados. O Hizbollah causou a última crise entre os judeus e o Líbano, “resolvida” por Israel com o método já conhecido pelo país, o militar. Os foguetes do Hamas levaram ao mesmo desconforto e à mesma reação desproporcional hebraica, o bombardeio a Faixa de Gaza, que matou mais de 1,5 mil palestinos. O Irã e a Síria, vizinhos malquistos pelo país, também são vistos como ameaça, o que não é gratuito. Os dois governos já manifestaram seu repúdio às ações de Israel, e sequer reconhecem a existência da nação. Em uma de suas declarações mais marcantes, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad afirmou que varrerá Israel do mapa. Ehud Barak, ministro da defesa israelense, por outro lado, garantiu que seu país irá às últimas consequências para impedir que o Irã tenha armas nucleares.
Antes inimigos, os partidos Hamas e Fatah, que detêm o controle da Faixa de Gaza e da Cisjordânia, respectivamente, reataram os laços e se uniram para fortalecer os palestinos, que a cada dia conquistam mais aliados no cenário internacional, como a Venezuela, que expulsou o embaixador israelense com o início da invasão. Na Europa, há um consenso de que apesar de ameaçada, Israel reage de modo desigual e desnecessário. A União Européia foi um dos maiores opositores ao mais recente ataque e representantes dos maiores países do bloco visitaram a região para negociar a paz. Os EUA, maiores aliados no Ocidente, agora são governados por Obama, cujo discurso não é tão pró-Israel quanto o de seus antecessores. Atritos com a ONU e até mesmo com a Igreja Católica contribuem para prejudicar a imagem dos israelenses no panorama internacional. Israel também enfrenta problemas internos. Os judeus estão divididos entre os moderados e os exaltados. Por outro lado, a população muçulmana cresce e expande sua influência política.
Diante de tantos obstáculos, o povo judeu tem como maior desafio a paz, não uma paz imposta militarmente, mas uma negociada e que beneficie a todos. Israel deve impedir que o revanchismo e o ódio norteiem seu governo e evitar ações agressivas que matam mais civis inocentes que terroristas. Ao invés de muros, deve-se construir pontes. O Oriente Médio precisa de líderes dispostos a lidar com grupos extremistas sem perder a consciência de que o Estado não pode se igualar a eles nem abrigá-los. O Oriente Médio precisa de diplomacia responsável e comprometida com o bem-estar de toda a região, para que não se fale mais em holocausto na Terra Santa.
domingo, 18 de janeiro de 2009
Omeletes e Maquiavel
O caso possui uma diversidade de poréns que devem ser analisados antes que se diga que o Brasil está abrigando um terrorista, e, também, muito antes que se afirme que estamos socorrendo um herói revolucionário. Seria a decisão de Genro, um corporativismo ideológico? Mais uma vez o governo Lula faz uma questionável manobra diplomática com motivos que beiram a simpatia política. Vale lembrar o amparo dado aos governos esquerdistas da América Latina, que vivem espezinhando o Itamaraty. Há erros e acertos na política externa brasileira, e, principalmente, leviandade em muitas afirmações feitas na mídia. Voltando: Seria uma questão de direitos humanos por Battisti não ter participado de seu próprio julgamento? Seria simplesmente um desafio a um pais desenvolvido como a Itália, o que “““““reforçaria””””” nossa ascensão como força política mundial? Não entrarei no mérito de nenhuma das questões.
Chamou-me a atenção ouvir um argumento da defesa do italiano. Alegou-se que Battisti cometeu crime por motivos políticos, e que por isso, não deveria ser preso. Separando a discussão do caso particular da esquerda ex-radical italiana, e tratando do assunto mais genericamente: vale cometer crimes em nome de supostas transformações políticas e sociais? Em busca do fim de regimes opressores e injustos? Em defesa dos direitos humanos, da liberdade e da democracia? Até onde a bandeira de uma ideologia pode nos levar, e até onde uma motivação positiva deve gerar concessões?
Ao longo da história, processos sangrentos foram o principal motor de propulsão das transformações. Revoluções Francesa, Russa, Chinesa, Cubana; Independência dos EUA, Haiti, México. Sem falar de guerras que alteraram o panorama global e tantas outras disputas que banharam de sangue os manifestos e panfletos políticos.
Nem entro no mérito de atos de vandalismo, falo apenas de ações que vitimizam pessoas. Em nome de um país mais justo, valem chacinas na classe dominante, fuzilamento de congressos, ataques terroristas contra civis, e tantas outras atrocidades que desrespeitam os direitos humanos?
Há quem diga que não se faz uma omelete sem quebrar os ovos, ou que os fins justificam os meios, ou que sacrifícios são necessários. Penso também no Hamas, que contra a repressão israelense tem cometido barbaridades. É legítima a reação violenta do oprimido contra o opressor? Não chego a conclusões definitivas.
Penso que a vida é o maior de todos os bens a ser preservado. Penso que a violência em nome de causas nobres ainda é violência. Penso que não se podem abrir concessões em princípios conforme pedem as circunstâncias. Caso contrário, seria a favor dos homens-bombas, dos mísseis contra Israel, da caça aos nobres na Noite do Terror, do tratamento desumano a criminosos em morros cariocas, dos atentados de 11 de setembro e de tantos outros episódios engajados e sombrios de nossa história.
Apesar disso, reconheço que sem luta não se teriam derrubado as ditaduras na América Latina, não se extinguiria o Feudalismo, não se acabaria a colonização européia ao redor do mundo nem se poderia conquistar a democracia em incontáveis países. Mas a luta não necessariamente precisa ser um banho de sangue e terror em grande parte do planeta. Com um “sistema democrático” consolidado, muitas nações já podem reformar suas estruturas e fazer belas omeletes sem quebrar ovos. Para os mais afoitos e radicais, creio que tal afirmação não sirva de consolo. Entre dar início a mudanças radicais, por meio de processos violentos, que não têm previsão de onde parar, e poupar vidas, fico com a segunda opção.
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Um negro na Casa Branca

Para quem ainda duvidava que os americanos elegeriam um presidente negro, eis a resposta: 349 delegados para Obama, 173 para McCain. Arrematando o eleitorado dos maiores estados norte-americanos (com a exceção do Texas, é claro), o democrata foi chamado de pioneiro, despreparado, pop e até de Osama, mas não se pode negar que ele seja, na verdade, um símbolo.
Obama surfou numa onda anti-republicana, e se manteve como favorito desde a disputa com a ex-primeira dama e quase candidata Hillary Clinton. Passada a emoção da vitória histórica, o democrata deverá encarrar o lado negativo do trágico governo que serviu de garantia para sua conquista. Obama terá muito o que consertar.
O novo presidente terá que superar em primeiro momento, os drásticos efeitos que a desaceleração da economia trará logo nos primeiros dias de seu mandato. Junto com as boas novas da mudança democrata, virão os destroços de um mandato duplo recheado de irresponsabilidades econômicas. O mundo exigirá do novo líder um posicionamento contundente, que possa trazer de volta a confiança na nação causadora do cataclisma financeiro.
De Obama também será cobrada uma posição mais humana e correta no que diz respeito à diplomacia. Auxílio aos países pobres, repúdio a guerras, respeito ao meio ambiente, promessas implícitas no carro-chefe da campanha democrata , a mudança. Não é apenas um novo presidente que o mundo quer, mas uma nova "América". Um país que finalmente entre em conjunção com os novos tempos.
É claro que muito do que é pedido, não será feito. Não pensemos que Obama será o messias que nos guiará a um mundo mais justo e feliz. A igualdade racial é uma realidade distante nos EUA e no mundo, bem como a maioria dos sonhos dos eleitores democratas. O governo do novo presidente, como foi o de todos os anteriores, deverá respeitar os anseios das grandes corporações, os verdadeiros partidos políticos que guiam os EUA.
Como dizia uma genial colega de turma ontem, Obama vale mais pelo símbolo que pela prática. Ele pode não mudar nada, mas por si só já representa uma mudança significativa, a da ideologia. Os americanos disseram um não a um candidato que em muitos aspectos é o estereótipo de presidente dos EUA. Ex-militar, branco, bem aparentado, liberal e carismático. McCain, apesar de ser o mais democrata dos republicanos, carregava nas costas todo o peso de uma tradição que caiu em desuso nos EUA.
Ao ver os americanos elegerem a mudança, não pude deixar de lembrar dos cariocas. Enquanto lá o político diferente prevaleceu, aqui preferimos manter o arcaico populismo. Elegemos o calçador de ruas do subúrbio, o distribuidor de santinhos, o construtor de monumentos e praças. Apostamos na candidatura suja nas ruas e nas idéias. Ignoramos o troca-troca do candidato traiçoeiro que fez da sua campanha uma punhalada em seu padrinho político. O resultado, contudo, foi apertado. O balanço das eleições municipais no Rio foi positivo. A política renasceu. O novo não venceu, mas chegou perto, bem perto. Para quem duvidava que as classes mais desfavorecidas inviabilizariam uma candidatura inovadora, 2008 trouxe novos ares de esperança. Gabeira não é Obama, mas é a mudança que Rio espera de braços abertos. É uma pena que o carioca ainda não tenha se convencido disso.
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
A Boa Idéia da China
08/08/08, dificilmente esse dia será esquecido nos próximos anos. Após uma escandalosa cerimônia de abertura, a China deu início não somente às Olimpíadas, mas também a sua principal estratégia de promoção internacional. Ainda mais impressionantes que o início foram o desenrolar e o desfecho do evento. As 51 medalhas de ouro mostram que o projeto Pequim 2008 foi uma boa idéia. Os atletas dos mais de 200 países que competiram nas inúmeras modalidades lutavam por realização pessoal, por conquistas que tornariam gloriosa uma trajetória de privações e determinação. Os chineses se comportavam de outro modo, tinham uma obstinação militar, quase que um dever para com seu governo. Nem a tão aclamada ideologia do sucesso individual dos americanos foi capaz de pará-los. Enquanto os outros países eram representados por seus esportistas, a China era defendida por “soldados” de todas as minorias étnicas, desde a quase impúbere ginasta Yang Yilin até o campeão de levantamento de peso Hui Liao.
O Projeto 119, que considerou as provas em que os chineses detinham chances de vitória, começava cedo, ainda nas escolas. Crianças que se destacavam na educação física eram selecionadas, separadas da família, e enviadas a centros de treinamento. Cerca de 185 mil jovens se prepararam em 1.800 pólos, gerando 20 mil atletas com potencial olímpico, de acordo com a revista Época. Imagine todas as pessoas que passam pela Marquês de Sapucaí em uma noite de desfiles com sete escolas, pois bem, é mais ou menos isso.
Seguindo as linhas Soviética e Cubana, a China viu no esporte um modo de aumentar a auto-estima da população e, ao mesmo tempo, ganhar visibilidade internacional. Deu certo. Apesar dos “poréns” que foram levantados pela imprensa internacional durante todo o período dos jogos, a imagem do regime é melhor agora que antes da competição. Ficou a impressão de que na China tudo funciona.
Quem leu um pouco além das notícias esportivas que se referiam a Pequim sabe que não foi bem assim. Imbuídos do espírito olímpico os chineses proibiram manifestações, ou melhor, restringiram os locais hábeis e exigiram permissão do governo. O que se viu foram protestos frios, sem visibilidade e autenticados em três vias. Reza a lenda que uma parte da população não teve acesso a certos locais da cidade e que nem todos os que quiseram ver os jogos puderam viajar de outras partes da China para a capital. O antigo hábito de cuspir na rua também foi vítima da vaidade governamental. Ao contrário do prometido, a censura não cessou durante as Olimpíadas.
Tais detalhes, porém, passaram quase despercebidos diante do brilhantismo arquitetônico de estádios como o Ninho do Pássaro e o Cubo D’Água. A vila olímpica de altíssimo nível impressionou até os atletas de países desenvolvidos, e o céu, forçosamente azul, surpreendeu os espectadores. A aparente limpeza atmosférica foi efêmera, fábricas foram fechadas durante o evento. Agora que os jogos acabaram, Pequim voltará ao normal, pelo menos é nisso que quer acreditar o regime.
Prepotentes, os americanos afirmam que após experimentar “dias de ocidente”, os chineses passarão a ser mais críticos e exigentes. “A democracia virá como resultado da troca cultural entre os países desenvolvidos e a nova potência”, mentalizam os líderes do G7.
O contrário pode estar acontecendo. Com o sucesso dos jogos, o regime fortalece sua popularidade, engrossa o nacionalismo e aponta para um novo método de obter sucesso, não mais o balizado por um conjunto de sucessos pessoais, mas o que é fruto de um planejamento estatal, que nem sempre respeita o indivíduo, valor máximo do ocidente. Vale olhar para o crescimento econômico, que por muitos anos se sustentou sobre massas mal remuneradas que atraíram empresas com sede de humanos sem direitos. Hoje, são os desenvolvidos que enfrentam problemas por sua mão-de-obra cara. Talvez um novo modelo tenha esteja prestes a saltar sobre o século XXI, um que busque recordes produtivos eliminando cada vez mais o “atrito humano”. Especula-se muito, mas não se sabe ao certo o que nasceu no Ninho do Pássaro.
quinta-feira, 20 de março de 2008
Sem Favoritismos
Nesta semana, o presidente americano deu mais uma prova da habilidade que possui para dialogar com a mídia. Poucos dias depois de o governo dos EUA destinar bilhões para a cobertura do rombo causado pela venda do Bears Stearns por um preço bem abaixo do mercado, Bush declarou que a crise financeira vivida pelo país não é grave. Obviamente, o poder de fogo do “war president” foi nulo.
O mercado entendeu imediatamente o que significa um governo republicano intervir na economia. Conservadores e defensores do neoliberalismo até as últimas conseqüências, os antecessores do texano não cederam a uma intervenção direta nem na crise de 29. Em um quadro de competição e busca pela otimização dos lucros, a participação do Fed na compra do quinto maior banco dos Estados Unidos é um fato preocupante. Um comportamento atípico na filosofia do capitalismo yankee.
O quarto colocado na lista pode ser a próxima vítima. O Lehman Brothers enfrenta dificuldades e já mostra que possivelmente anunciará mais prejuízos. A queda de 48% das ações, em um único dia, comprova. Desde que o Citigroup contabilizou perdas bilionárias no início do ano, grupos americanos e europeus tiveram seus lucros devastados pelo terremoto que se tornou a crise do subprime. Os EUA podem até não entrar em recessão, mas já é certo que a época das vacas gordas foi para o brégio. Parece que o capitalismo não tem favoritos.
Diante de um inimigo invisível, Bush treme. A única arma que pode usar agora é a competência. Ele não entende de sutilezas. Não se conforma com a impossibilidade de bombardear a crise e pronto. Invadir o território da economia é algo complexo demais para o presidente. Invocar o nome de Deus para pedir dinheiro também não vai ajudar, ele não concede empréstimos. Os EUA gastaram trilhões na guerra contra o terror, e agora tem mais um motivo para se aterrorizar.
No Brasil, Mantega e Lula apostam na segurança da economia nacional. Há ressalvas. Em um mundo de integração e interdependência financeira, é impossível afirmar até que ponto o aprofundamento da crise lá pode, ou não, estender-se do lado de cá. Por mais que não nos atinja diretamente, muitos países embarcarão na penúria. Provavelmente o enfraquecimento das exportações será o primeiro indício. Fuga de investimentos também deve ser esperada, ninguém investe em emergentes em um quadro de insegurança global.
Perdidos na própria cartilha, os americanos devem se perguntar como logo eles foram pegos pelas armadilhas do capitalismo. Tão competentes, qualificados, organizados e ambiciosos, porém agora diante de um problema que poderia ter se resolvido tão facilmente, caso a compulsão não transcendesse os limites lógicos. Ironicamente, foram derrubados pelo consumo, força que move sua economia e cultura. As compras compuseram a rotina, a ética, a moral e até o próprio território nacional. No país onde cidadão e consumidor são sinônimos, a dívida não é só com os bancos. A crise é de valores.
domingo, 24 de fevereiro de 2008
'Fashion Week'
Celebridades, fatos não esperados, reviravoltas, polêmicas e estilo. Essa não foi a fashion week, mas bem que poderia ter sido. Parece que não foi só o relógio que acordou diferente no domingo, nos últimos sete dias vivenciamos momentos históricos – outros nem tanto – que podem representar indicações de quais serão as tendências das próximas estações. Vale a pena fazer um apanhado geral.
No Brasil, o verde está “out”. Pelo menos foi nisso que apostou a população de Tailândia, cidade paraense que impediu o início da apreensão de madeira ilegal da Amazônia, armazenada no município. Após demissões em massa, orquestradas pelas madeireiras para obrigar o povo a lutar por seus empregos, centenas de pessoas chegaram a incendiar um carro para barrar o comboio do Ibama. Já os ministros Tarso Genro e Marina Silva ficaram “beges” de espanto, e preferiram não comparecer.
Na terra de Gisele Bündchen, quem brilhou foi outro top, Lula, que finalmente pôde lançar mão do jargão “Nunca na história desse país” de forma adequada. O “vermelho” ficou para traz, e agora no “Azul”, somos credores. Só falta saber se será azul celeste, ou algum meio “água suja”.
Outro tom em alta é o azul petróleo, que atingiu os US$100 o barril, para a alegria de Hugo Chavez. Após batalha judicial contra a Exxon, o presidente venezuelano declarou que não pretende amarelar, e ameaçou os americanos, já que para eles muito mais negra que a fome, é a ausência de petróleo. Os latinos não pararam por aí. Na terra em que Hittler ascendeu ao poder, Capitão Nascimento virou herói e trouxe para casa o urso de ouro. A farda preta agora é ícone do cinema brasileiro, e ai dos “intelectualóides” que queiram questionar isso.
Os últimos dias mostraram que a camisa verde e amarela está para perder um dos mais ilustres usuários, Ronaldo. Apesar do esforço, o jogador deu sérios indícios de que jogará a toalha em breve. Quem não fará isso é Hillary, que ao ver seu fracasso cada dia mais iminente, se apega com mais força a bandeira rosa-choque. Já o afro-americano Obama escolheu um estilo alternativo – sem cordões de prata e super carros – e tem obtido resultados bem positivos. E ainda assim há quem se pergunte se os Estados Unidos estão prontos para um presidente negro.
Conservadores como sempre, os americanos mostraram que há algo em sua política que não sai de moda, o moralismo. Após ser pego com uma lobista, John McCain está de saia justa. Parece que a ala retrô do Partido Republicano vai ter que engolir mais este sapo se não quiser entregar os pontos.
Voltando ao Brasil, a antológica frase “há males que vêm para o bem” se fez valer novamente. Após a má-fé dos seguidores do Bispo Macedo mover céus e terras contra a mídia, algo de bom veio como resultado, um Ministro do Supremo anulou temporariamente a lei de imprensa. Em pleno século XXI a lei ainda permitia ações como recolhimento de jornais em caso de as edições ferirem a moral e os bons costumes. Coisas um tanto quanto anos 60.
Uma antiga conhecida do povo brasileiro tem ganhado uma cara nova, é a “repaginada” política do pão e circo, que parece se tornar cada dia mais “do circo, e tá bom”. O Timemania vai direcionar 22% dos recursos arrecadados com as apostas para clubes de futebol. Já a seguridade social ficará com apenas 1%. Em ano de eleição, deputados reforçam o novo look da velha política e garantem o maior aumento de verba por meio de emendas para os Ministérios do Turismo e dos Esportes, que têm apelo muito mais circense.
Uma moda que, pelo bem da humanidade, poderia pegar foi lançada pelo Kosovo. Após décadas de subordinação, Sarajevo afirmou sua autonomia com uma caneta e muita alegria. É uma pena que Belgrado e Moscou não tenham ficado muito satisfeitas. Em um ataque de pelancas, Putin chegou a ameaçar barrar a independência a força. Em protestos, a população sérvia atacou a embaixada americana e obrigou Bush a recuar com os diplomatas. Só falta saber o que a nova nação pretende fazer com as minorias étnicas.
Para o fim, o que houve de mais (in)esperado: a mudança de liderança na grife ideológica de Cuba. O antigo guru, Fidel Castro, passou o bastão sem que ninguém esperasse. Como um dos últimos mitos vivos do socialismo, Fidel é imprescindível para o equilíbrio na ilha do modo como ele se dá hoje. Após 49 anos no poder, o líder ficou um pouco fora de moda – apesar da jaqueta da Adidas – mas continua adorado pelos companheiros comunas. O país obteve muitas conquistas, ainda que com métodos controvertidos, porém afundou em uma crise. Agora é saber para que lado do Caribe Cuba boiará. Se entregará à tutela de Hugo Chavez, ou às incertezas de uma transição que irá muito além da política? Todo cuidado é pouco, já que não faltarão grandes marcas de olho na alta escolaridade e no baixo custo da mão-de-obra cubana.
Em uma indústria multi-bilionária como a da moda, mudanças se dão em um único dia, até com um simples acessório. Também é assim no mundo real. Em menos de 24 horas surgem novos paradigmas. Se espera que transformações durem anos, já deve estar um pouco antiquado. Portanto, não se surpreenda se tiver que renovar o seu armário de idéias em breve. Vestir camisas está em alta, mas o valor de suas cores vai muito além da estética. Responsabilidade social, meio ambiente, feminismo, ou seus antagônicos. Há quem as use por serem bonitinhas, e quem as repudie simplesmente pelo mesmo motivo. Ao escolher sua roupagem ideológica, reflita antes de cair no senso comum.
Cheios de pós-modernidades e síndromes de velocidade, vivemos hoje a Idade da Moda. Encare-a como quiser. Com um preto básico, que vai bem em qualquer situação, com um estilo próprio e independente de tendências, ou aderindo ao “in fashion”. Só não a ignore, pois em um mundo de aparências, você é o que veste. Isso é tudo.



