
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Irão?

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Brasis
Potência emergente ou democracia atrasada? No início do século XXI o Brasil enfrenta uma verdadeira crise de identidade. Não que uma coisa exclua a outra, mas a Ordem e o Progresso não parecem mais andar de mãos dadas na república verde-amarela.
A crise mundial se agrava a cada dia, e, não só o governo, mas analistas reconhecidos internacionalmente consideram a economia brasileira uma das mais sólidas e bem preparadas para enfrentar as turbulências. Basta olhar outros emergentes e desenvolvidos. Japão, Rússia, Chile, Alemanha, EUA e tantos países de diferentes patamares de grandeza vêm anunciando dados catastróficos. O Brasil não sai ileso, o que seria impossível para uma economia globalmente integrada, mas é apontado como o mais seguro entre os grandes, de acordo com a OCDE (Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico), conhecida como “Clube dos Ricos”.
Ao mesmo tempo, o país abriga um presente com cara de passado, em que os mesmos escândalos de sempre nem são mais capazes de sacudir a opinião pública. Acusada de semifeudal pela revista britânica The Economist, a política nacional ainda comporta figuras como José Sarney em cargos elevados do Legislativo. O atual presidente do Senado tem um passado de relação próxima com militares, foi integrante do ARENA e teve um governo econômicamente fracassado logo após a redemocratização. Como que para enriquecer a figura de linguagem, estoura o caso do castelo milionário em São José Nepomuceno. O Deputado Edmar Moreira {DEM [Ex-PFL ( Ex-ARENA]} alega que não há nada de irregular com o palácio Monalisa, mas peca na justificativa, já que sua vida de empresário tem algumas manchas. 2.700 processos trabalhistas cobram direitos não pagos…
Os dois Brasis conflitantes não são os únicos existentes no território nacional. Há o pais do poder paralelo, o das ONGs irregulares, o do SPFW, o dos latifundiários e dos sem-terra, o da Paraisópolis e do Leblon de Manoel Carlos, o do BBB, o da bola, o das igrejas fundamentalistas, das crianças violentadas e tantos outros. De fato, o Brasil é o país da diversidade e da tolerância. Há diversos estilos de vida, da linha da pobreza a classe A, e uma população inabalavelmente tolerante, cuja compreensão com o absurdo é impagável e imensa, ainda maior que o Castelo Monalisa.
domingo, 18 de janeiro de 2009
Omeletes e Maquiavel
O caso possui uma diversidade de poréns que devem ser analisados antes que se diga que o Brasil está abrigando um terrorista, e, também, muito antes que se afirme que estamos socorrendo um herói revolucionário. Seria a decisão de Genro, um corporativismo ideológico? Mais uma vez o governo Lula faz uma questionável manobra diplomática com motivos que beiram a simpatia política. Vale lembrar o amparo dado aos governos esquerdistas da América Latina, que vivem espezinhando o Itamaraty. Há erros e acertos na política externa brasileira, e, principalmente, leviandade em muitas afirmações feitas na mídia. Voltando: Seria uma questão de direitos humanos por Battisti não ter participado de seu próprio julgamento? Seria simplesmente um desafio a um pais desenvolvido como a Itália, o que “““““reforçaria””””” nossa ascensão como força política mundial? Não entrarei no mérito de nenhuma das questões.
Chamou-me a atenção ouvir um argumento da defesa do italiano. Alegou-se que Battisti cometeu crime por motivos políticos, e que por isso, não deveria ser preso. Separando a discussão do caso particular da esquerda ex-radical italiana, e tratando do assunto mais genericamente: vale cometer crimes em nome de supostas transformações políticas e sociais? Em busca do fim de regimes opressores e injustos? Em defesa dos direitos humanos, da liberdade e da democracia? Até onde a bandeira de uma ideologia pode nos levar, e até onde uma motivação positiva deve gerar concessões?
Ao longo da história, processos sangrentos foram o principal motor de propulsão das transformações. Revoluções Francesa, Russa, Chinesa, Cubana; Independência dos EUA, Haiti, México. Sem falar de guerras que alteraram o panorama global e tantas outras disputas que banharam de sangue os manifestos e panfletos políticos.
Nem entro no mérito de atos de vandalismo, falo apenas de ações que vitimizam pessoas. Em nome de um país mais justo, valem chacinas na classe dominante, fuzilamento de congressos, ataques terroristas contra civis, e tantas outras atrocidades que desrespeitam os direitos humanos?
Há quem diga que não se faz uma omelete sem quebrar os ovos, ou que os fins justificam os meios, ou que sacrifícios são necessários. Penso também no Hamas, que contra a repressão israelense tem cometido barbaridades. É legítima a reação violenta do oprimido contra o opressor? Não chego a conclusões definitivas.
Penso que a vida é o maior de todos os bens a ser preservado. Penso que a violência em nome de causas nobres ainda é violência. Penso que não se podem abrir concessões em princípios conforme pedem as circunstâncias. Caso contrário, seria a favor dos homens-bombas, dos mísseis contra Israel, da caça aos nobres na Noite do Terror, do tratamento desumano a criminosos em morros cariocas, dos atentados de 11 de setembro e de tantos outros episódios engajados e sombrios de nossa história.
Apesar disso, reconheço que sem luta não se teriam derrubado as ditaduras na América Latina, não se extinguiria o Feudalismo, não se acabaria a colonização européia ao redor do mundo nem se poderia conquistar a democracia em incontáveis países. Mas a luta não necessariamente precisa ser um banho de sangue e terror em grande parte do planeta. Com um “sistema democrático” consolidado, muitas nações já podem reformar suas estruturas e fazer belas omeletes sem quebrar ovos. Para os mais afoitos e radicais, creio que tal afirmação não sirva de consolo. Entre dar início a mudanças radicais, por meio de processos violentos, que não têm previsão de onde parar, e poupar vidas, fico com a segunda opção.
domingo, 7 de setembro de 2008
Um por todos e todos por um
Athos, Porthos, Aramis e D’Artagnan proferiram o lema que eternizou o clássico de Alexandre Dumas, Os Três Mosqueteiros. Na história, o jovem D’Artagnan, vindo do interior, conhece os três inseparáveis guerreiros e passa a acompanhá-los em épicas aventuras em nome da coroa francesa. Nas batalhas, um era responsável pela segurança dos outros, e intervinha em seu favor sempre que podia. Deste modo, tornavam-se invencíveis, já que a vida de um era sempre em prol dos companheiros.
Na democracia a lógica não é exatamente essa, ou pelo menos não deveria ser. A ação integrada dos três poderes se dá de modo independente, por mais contraditório que isto pareça. Vale repetir o tradicional discurso em que o Legislativo faz as leis, o Executivo às executa e o Judiciário fiscaliza seu cumprimento. O pleno trabalho dos três pilares do Estado permite que a vida democrática se sustente. A disfunção de um pode contaminar os outros e tornar ineficiente o complexo sistema idealizado por Montesquieu.
Na Democracia Brasileira, disfunção já é um eufemismo. O país que após a independência passou por um império e duas ditaduras, hoje se perde diante de um sistema que constantemente manda a Constituição para o espaço. Terra de emendas mil, o Brasil está soterrado por medidas provisórias, leis que não pegam e CPIs que não andam. A ineficiência das instituições públicas pode ser reflexo da corrupção, mas também se deve a uma incompetência quase generalizada mesmo que, às vezes, bem intencionada. Salvam-se exceções que lutam para que a máquina democrática se movimente com muito custo, seja ele representado por suor ou dólares.
A confusão, que termina em grampos e escândalos políticos, começa no desrespeito a termos fundamentais: legislar, executar e julgar. O primeiro, que deveria ser tarefa do Legislativo, tem sido largamente praticado pelo Executivo há anos, e mais recentemente também entrou na pauta do Judiciário. Seja pela lentidão das votações ou pela rixa de interesses que nem sempre são os de um Estado eficiente, os parlamentares estão no centro da crise. Para se defender, acusam o Palácio do Planalto, que governa por medidas provisórias e limita a atuação dos congressistas.
A disputa pela maioria no legislativo vai parar na sede das estatais e ministérios. Sendo assim, as poucas votações normalmente obedecem a acordos e nomeações que hora favorecem a uns e a outros, conforme for a necessidade. As CPIs, palcos de malabarismos e performances midiáticas, acabam por ser plataforma para políticos que visam a cargos no executivo municipal e estadual.
Em âmbitos menores, o Executivo também julga. Como? Guardiões da lei de todas as partes da Federação não deixam que muitos de seus suspeitos cheguem ao tribunal. Infratores e inocentes são julgados diariamente pelos juízes ilegítimos. O Judiciário, na crise de atribuições, também legisla e formula políticas.
Esta semana, a estranha denúncia da Veja marca mais um capítulo da invasão no quintal alheio. O Senador do Democratas e o Ministro do Supremo, pegos em flagrante durante uma conversa amigável e cívica, ilustram mais um desrespeito constitucional, cometido por órgãos públicos, o desdém pelos direitos individuais.
No panorama descabido, o “Quarto Poder” também tomou “liberdades”. Acusar, julgar e punir já é uma realidade multimídia, alimentada pelo vazamento infindável de informações sigilosas e denúncias anônimas movidas por interesses nebulosos. A própria conversa entre Demóstenes Torres e Gilmar Mendes, teria chegado à Veja já transcrita, de acordo com artigo de Alberto Dimes, no Observatório da Imprensa. Vale refletir se os escândalos pirotécnicos do jornalismo brasileiro estão simplesmente interessados em aumentar a tiragem, ou querem algo mais.
Uma perigosa conseqüência da prevaricação estatal é o fortalecimento do poder paralelo. Inspirados nos desvarios institucionais, os criminosos já cobram serviços postais, fornecem serviços básicos como água, luz e gás e possuem seus próprios tribunais. O problema se agrava quando o poder que era marginal se infiltra nas estruturas estatais até mesmo via eleições. Não se trata de uma exclusividade de milicianos cariocas ou de coronéis nordestinos, grandes cúpulas corporativas também exercem sua fatia de influência.
Diante do quadro quase carnavalesco em que se encontra a soberania popular, conquistada com tanto custo e hoje transformada em triste podridão, só nos resta a parte mais importante: a mobilização e consciência para nesta eleição buscar uma alternativa ao caos que se apresenta. Uma nova mentalidade é necessária para que o dia de hoje de fato tenha valor. A propósito, bom sete de setembro, se é que feriado no domingo pode ser bom...
segunda-feira, 21 de abril de 2008
– Querida, encolhi o Estado!
Teoricamente, o oposto deveria acontecer. Após conhecer as maravilhas da abertura de mercado, a população deveria almejar sucesso nas grandes empresas privadas. Contudo, grande parte da sociedade opta hoje pelo antes tão criticado Estado Paternalista. Muito menos empreendedor que o exigido pelo sistema, o brasileiro busca acima de tudo a estabilidade, ainda que com salários menores e funções menos prestigiadas.
A tranqüilidade se sobrepõe então a insana busca pelo sucesso. A alternativa é muito mais lógica. A exploração de mão-de-obra, desvalorizada com crescente exército de reserva, levou a percepção de que a competitividade é um risco para o homem competitivo e reduz sua vida a um só objetivo: qualificar-se. O desejo por salários cada vez maiores continua, mas agora saber que o pagamento estará lá nos próximos anos é mais importante. Talvez a busca seja pela manutenção do poder de consumo, e não pela felicidade em outras áreas da vida, mas é fato que um novo paradigma de sucesso se cristalizou na sociedade.
O brasileiro do início do século XXI prefere ser um burocrata a trabalhar em escalas desumanas de horas-extras, feriados e fins de semana. Dificilmente se encontra alguém que não trocaria sua “possibilidade de crescer com a empresa” por uma pequena carga horária com benefícios, ainda que com salários menores. De que adianta vestir a camisa da companhia se ela não se compromete a vestir a sua?
Astuto, o capitalismo obviamente já encontrou uma forma de se beneficiar com a nova demanda. O mercado de cursos preparatórios ostenta hoje uma gorda participação no setor terciário. Empreendedores gabaritados promovem a nova ideologia, e os questionamentos da “quadrada” ideologia neoliberal parecem ter sido apaziguados. A esquerda pró-estatal ganhou um aliado na luta contra a terceirização dos serviços públicos. Um aliado que na verdade apóia apenas o próprio bolso. Aumentar o estado agora é lucro.
Menos lembradas, as administradoras privadas também têm muito que comemorar. Dificilmente um órgão oferece vagas sem antes contratar uma firma privada para organizar a seleção. O montante de divisas engorda com a demanda por vagas. Os serviços oferecidos vão desde provas a correções e classificações. É preciso estar atento à eficiência da fiscalização.
Conforme os gastos com pagamento de salários crescem, o governo usa mais uma vez o emprego como arma eleitoral. Como ano de eleições municipais, 2008 promete abrir concursos da Prefeitura de Oiapoque à Câmara de Chuí. Apesar do uso deliberado do dinheiro público, o Estado de fato tem o dever de garantir a oferta de empregos. Isso não quer dizer contratar todos os desempregados. Há um ponto de equilíbrio entre a Dama e a Cortina de Ferro que não fundirá os cofres nacionais e, por tabela, os nossos bolsos.
Postos à prova, os governantes tem apenas quatro anos de duração para responder a inúmeras questões. As indisciplinas são muitas, já que o programa não é assim tão claro. Por mais que alguns estejam preparados, a avaliação impõe condições e critérios que podem desestabilizar os nervos e principalmente os princípios dos candidatos, mesmo depois de classificados. As reações são inúmeras. Alguns ficam meio aéreos a viajar sem ler muito bem os enunciados, ou apenas pulando a leitura incômoda. Há quem sinta os instintos mais primitivos e quem perca o salto, a compostura e a vergonha. Muitos pedem cola, até levam as respostas na cueca. Cavalheiros distintos afundam em escândalos. Criam verdadeiros esquemas que acabam descobertos ou não, afinal de contas, o fiscal não é assim tão atento, ou imparcial, quanto diz.
O grande problema é que as opções são muitas, e nem sempre há garantia de que alguma esteja certa. Há perigo no óbvio e no complexo, mas principalmente nas generalizações. Se nenhuma das respostas anteriores foi correta, o melhor é apostar em algo novo. Provas antigas servem para se preparar mais não devem ser a base do estudo. A atenção deve ser redobrada com os cálculos e interpretações, “equívocos” acontecem sempre.
Na corrida por uma vaga mais prestigiada, o Brasil cometeu e comete muitos erros, torçamos para que não anulem os acertos. Cabe a população recorrer caso se sinta prejudicada. O funcionalismo público não deve ser excessivo, mas também não deve ser extinto. Cuidemos para que os políticos não percebam de repente que encolheram o Estado “por acidente”. Aproveitemos nossos dias úteis.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
Desvio de Verbo
O Ministério da Inclusão Social fez seu papel em abrir os olhos da sociedade para um fato, no mínimo, curioso: quando o assunto é corrupção, nenhum país é tão igualitário quanto o nosso. Há espaço para todos os níveis de escolaridade, hierárquicos e financeiros. Do segurança ao reitor, o desejo foi um só: dar a conta para o povo pagar.
Comprou-se de tudo, sem se importar com os preços. Na verdade, talvez tenha sido o contrário, quanto mais caro melhor. Imagino o trabalho que deu ao Magnífico Reitor da UnB encontrar uma lixeira de quase R$1 mil. Pelo menos agora tem onde jogar seu diploma com certa “dignidade”, visto que um reitor é o símbolo do conhecimento em uma sociedade, um verdadeiro avatar da inteligência. Posição que requer o mínimo de compostura, como vossa magnificência reconheceu, o que não quer dizer andar em um carro de R$70 mil pago pela Universidade. Taí, eis um cargo em que ainda depositava minha confiança.
À margem da apuração dos fatos ficará uma gorda parcela, usada para assuntos de segurança nacional. Penso que todos os gastos poderiam ter essa finalidade, se fossem empregados na reforma do sistema penitenciário, na fiscalização das fronteiras, no combate ao crime organizado ou na modernização das forças armadas. Se o segredo é de interesse público, muito mais público é o interesse pela verdade.
“Longe da corrupção”, o legislativo debate temas muito mais importantes. Enquanto a situação tenta tomar as rédeas da CPI, para implantar uma comissão do “bem”, a oposição faz discursos histéricos e chantagens demagogas para investir em uma nova cruzada contra a invicta popularidade de Lula. Ou teremos governistas se auto-flagelando com chicotes de algodão, ou opositores plantando bananeiras para a mídia. Vale lembrar que essa é uma das muitas formas que serão usadas para ganhar os holofotes em ano eleitoral. Como disse acima, existem coisas que o dinheiro não compra. Voto não é uma delas.
À medida que percebemos o quanto o Portal de Transparência é opaco, questiono o que ainda falta ser descoberto sobre a corrupção. Esse fenômeno patológico em nossa sociedade mostra-se cada vez mais uma epidemia. Já sabemos que é parte da cultura, que atinge todas as camadas sociais e que não faz distinção de gênero, etnia nem formação acadêmica. Está em todos os estados, desenvolve formas cada vez mais eficientes e algo me diz que se revela apenas quando é conveniente. Onipotente, onipresente e onisciente. Corrupção no Brasil é mais que hábito enraizado, é religião.
domingo, 24 de fevereiro de 2008
'Fashion Week'
Celebridades, fatos não esperados, reviravoltas, polêmicas e estilo. Essa não foi a fashion week, mas bem que poderia ter sido. Parece que não foi só o relógio que acordou diferente no domingo, nos últimos sete dias vivenciamos momentos históricos – outros nem tanto – que podem representar indicações de quais serão as tendências das próximas estações. Vale a pena fazer um apanhado geral.
No Brasil, o verde está “out”. Pelo menos foi nisso que apostou a população de Tailândia, cidade paraense que impediu o início da apreensão de madeira ilegal da Amazônia, armazenada no município. Após demissões em massa, orquestradas pelas madeireiras para obrigar o povo a lutar por seus empregos, centenas de pessoas chegaram a incendiar um carro para barrar o comboio do Ibama. Já os ministros Tarso Genro e Marina Silva ficaram “beges” de espanto, e preferiram não comparecer.
Na terra de Gisele Bündchen, quem brilhou foi outro top, Lula, que finalmente pôde lançar mão do jargão “Nunca na história desse país” de forma adequada. O “vermelho” ficou para traz, e agora no “Azul”, somos credores. Só falta saber se será azul celeste, ou algum meio “água suja”.
Outro tom em alta é o azul petróleo, que atingiu os US$100 o barril, para a alegria de Hugo Chavez. Após batalha judicial contra a Exxon, o presidente venezuelano declarou que não pretende amarelar, e ameaçou os americanos, já que para eles muito mais negra que a fome, é a ausência de petróleo. Os latinos não pararam por aí. Na terra em que Hittler ascendeu ao poder, Capitão Nascimento virou herói e trouxe para casa o urso de ouro. A farda preta agora é ícone do cinema brasileiro, e ai dos “intelectualóides” que queiram questionar isso.
Os últimos dias mostraram que a camisa verde e amarela está para perder um dos mais ilustres usuários, Ronaldo. Apesar do esforço, o jogador deu sérios indícios de que jogará a toalha em breve. Quem não fará isso é Hillary, que ao ver seu fracasso cada dia mais iminente, se apega com mais força a bandeira rosa-choque. Já o afro-americano Obama escolheu um estilo alternativo – sem cordões de prata e super carros – e tem obtido resultados bem positivos. E ainda assim há quem se pergunte se os Estados Unidos estão prontos para um presidente negro.
Conservadores como sempre, os americanos mostraram que há algo em sua política que não sai de moda, o moralismo. Após ser pego com uma lobista, John McCain está de saia justa. Parece que a ala retrô do Partido Republicano vai ter que engolir mais este sapo se não quiser entregar os pontos.
Voltando ao Brasil, a antológica frase “há males que vêm para o bem” se fez valer novamente. Após a má-fé dos seguidores do Bispo Macedo mover céus e terras contra a mídia, algo de bom veio como resultado, um Ministro do Supremo anulou temporariamente a lei de imprensa. Em pleno século XXI a lei ainda permitia ações como recolhimento de jornais em caso de as edições ferirem a moral e os bons costumes. Coisas um tanto quanto anos 60.
Uma antiga conhecida do povo brasileiro tem ganhado uma cara nova, é a “repaginada” política do pão e circo, que parece se tornar cada dia mais “do circo, e tá bom”. O Timemania vai direcionar 22% dos recursos arrecadados com as apostas para clubes de futebol. Já a seguridade social ficará com apenas 1%. Em ano de eleição, deputados reforçam o novo look da velha política e garantem o maior aumento de verba por meio de emendas para os Ministérios do Turismo e dos Esportes, que têm apelo muito mais circense.
Uma moda que, pelo bem da humanidade, poderia pegar foi lançada pelo Kosovo. Após décadas de subordinação, Sarajevo afirmou sua autonomia com uma caneta e muita alegria. É uma pena que Belgrado e Moscou não tenham ficado muito satisfeitas. Em um ataque de pelancas, Putin chegou a ameaçar barrar a independência a força. Em protestos, a população sérvia atacou a embaixada americana e obrigou Bush a recuar com os diplomatas. Só falta saber o que a nova nação pretende fazer com as minorias étnicas.
Para o fim, o que houve de mais (in)esperado: a mudança de liderança na grife ideológica de Cuba. O antigo guru, Fidel Castro, passou o bastão sem que ninguém esperasse. Como um dos últimos mitos vivos do socialismo, Fidel é imprescindível para o equilíbrio na ilha do modo como ele se dá hoje. Após 49 anos no poder, o líder ficou um pouco fora de moda – apesar da jaqueta da Adidas – mas continua adorado pelos companheiros comunas. O país obteve muitas conquistas, ainda que com métodos controvertidos, porém afundou em uma crise. Agora é saber para que lado do Caribe Cuba boiará. Se entregará à tutela de Hugo Chavez, ou às incertezas de uma transição que irá muito além da política? Todo cuidado é pouco, já que não faltarão grandes marcas de olho na alta escolaridade e no baixo custo da mão-de-obra cubana.
Em uma indústria multi-bilionária como a da moda, mudanças se dão em um único dia, até com um simples acessório. Também é assim no mundo real. Em menos de 24 horas surgem novos paradigmas. Se espera que transformações durem anos, já deve estar um pouco antiquado. Portanto, não se surpreenda se tiver que renovar o seu armário de idéias em breve. Vestir camisas está em alta, mas o valor de suas cores vai muito além da estética. Responsabilidade social, meio ambiente, feminismo, ou seus antagônicos. Há quem as use por serem bonitinhas, e quem as repudie simplesmente pelo mesmo motivo. Ao escolher sua roupagem ideológica, reflita antes de cair no senso comum.
Cheios de pós-modernidades e síndromes de velocidade, vivemos hoje a Idade da Moda. Encare-a como quiser. Com um preto básico, que vai bem em qualquer situação, com um estilo próprio e independente de tendências, ou aderindo ao “in fashion”. Só não a ignore, pois em um mundo de aparências, você é o que veste. Isso é tudo.



